“Doce como o massacre de sóis”
(Emily Dickinson)
Oito canhões na praça de guerra
Apontam para o peixe
Que traz a paz nas guelras
Quatro gaivotas suicidas
Lambem o babado azulado
Do triste mar-flamenco
Lembro um filme de Babenco:
Ana e o vôo
Mariposas no quarto lúgubre
Suas mãos em concha
A esmagar a eternidade insalubre
“A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la”
(Emily Dickinson)
O sagrado despe as ilusões
e abraça as árvores mortas
Suas folhas azul esmaecido
qual manto da Virgem de Cambrai
Os ossos das árvores adoeceram
e elas morreram – azuis -
Antes que tornassem brancos
os seus cabelos
“O pedigree do mel não diz nada a uma abelha”
(Emily Dickinson)
O rancor dos homens
Contaminou as flores
As abelhas
Morreram de cólera
Adocicada
Último zumbido
Acordou o Sol
Em cadência afinada
Qual canção do Vangelis
Barbara Lia nasceu em Assaí, Paraná. Publica em revistas literárias como Rascunho, Garatuja, Mulheres Emergentes, Revista Etcetera, Revista Coyote, Zunái, Cronópios, Blocosonline, Editora Ala de Cuervo e outras. Foi finalista, por duas vezes, do Prêmio Sesc de Literatura (2004, com o romance Cereja & Blues, inédito; e 2005, com o romance Solidão Calcinada). Em 2010, fez parte do livro de ensaios O que é poesia?, da Editora Confraria do Vento, organizada por Edson Cruz. O sorriso de Leonardo (Poema, Edições Kafka - 2.004), Noir (Poema, ed. do autor – 2.006), O sal das rosas (Poema, Lumme editor – 2.007), A última chuva (Poema, ME – ed. alternativas – MG – 2.007), Solidão Calcinada (Romance, Secretaria da Cultura / Imprensa Oficial do Paraná - 2008)