Antonio Augusto Fagundes
Pequena Biografia: Antonio Augusto Fagundes nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 4 de novembro de 1934. Publicou seus primeiros versos no livro " Com a Lua na Garupa", seguiu-se "Ainda com a Lua na Garupa", "Os Melhores Causos de Galpão", "Era uma Vez" (Contos Tradicionalistas do Rio Grande do Sul) e "Canto Alegretense", do qual transcrevo esta poesia. Nico é uma referência no estudo da Cultura Gaúcha, engrandecendo a nossa biblioteca com títulos como "As Santas Prostitutas", "Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul", "Indumentária Gaúcha", "Revolução Farroupilha / Cronologia do Decênio Hero", "O Combate da Ponte do Ibirapuitã - Revolução de 1923", "Curso de Tradicionalismo Gaúcho". Sei que é difícil conseguir estes livros fora do Rio Grande do Sul, por isso deixo aqui o contato do Martins Livreiro, que atende pedidos pelo reembolso postal: martins@paginadogaucho.com.br
O Gaúcho que trovou com o diabo
Numa Sexta-Feira Santa
Em ponto de meio-dia
Eu me topei com o Diabo
Dentro duma ventania.
Me desafiou pra cantar
Numa trova de aporfia
E só saiu empatando
Porque usou de bruxaria.
O Diabo chegou dizendo
"Na trova tu és o rei,
Mas tu não podes saber
Cantar do jeito que eu sei,
Mas se me vences cantando
Nunca mais te tentarei!"
Sabia que era pecado
Mas mesmo assim aceitei.
O Diabo abriu a cordeona
E eu afinei o violão.
Ele quis fazer um trato
E eu fui dizendo que não:
"Te deixo me vencer hoje
Se me pedires benção"
Eu fiz o sinal da cruz
E o Diabo caiu no chão.
Quando bateu a meia-noite
O Diabo saltou pra trás.
Largou um verso de Rei,
E eu cantei outro de Ás.
Me disse: "Daqui por diante
Diz adeus pra Satanás.
Já que empataste comigo
Nunca mais tu perderás!"
Causo: Pinicos de Coronel Bicaco
Do livro "Os Melhores Contos de Galpão", este Causo " Os Pinicos de Coronel Bicaco". E a cozinha...bem, nada de fogão...Afinal, nesta semana de fandango e acampamento farroupilha, todos devem estar "enfarados" de comer churrasco...
O Coronel Bicaco ganhara o seu título em revoluções e era estancieiro, ervateiro e bolicheiro forte no local onde está bela e hospitaleira cidade que tem o seu nome. Ele foi também o avô paterno do ex-governador e meu querido amigo Amaral de Souza.
Fisicamente ele se parecia com Getúlio Vargas, pequeno, forte e entroncado. Grosso como tarugo de pipa, cheio de manias e meio agarrado com os pilas, duma feita recebeu a visita dum viajante de São Paulo que trazia uma novidade para o bolicho: pinico alouçado, de vários calibres e virola de cores diferentes. E sem tampa, ao contrário daqueles antigos pinicos de louça que vinham nos enxovais fazendo jogo com a jarra, a bacia, a saboneteira e a escavadeira...
O Coronel gostou e quis comprar, mas o homem disse que só vendia por "grosa". Aí o índio velho pensou que "grosa" era como os birivas chamavam a deuzia e encomendou doze grosas. E de cada tipo!...Surpreendido mas satisfeito, o viajante assinou o pedido.
Daí a umas semanas começou a chegar pinico no bolicho que não acabava mais! Os trens despejavam em Ijuí vagões e vagões e as comitivas de carreteiros não tinham descanso. Apavorado, o Coronel Bicaco quis parar com tudo aquilo. Chamou um "confiança", fez um telegrama, contou as palavras direitinho e deu ao homem cavalo encilhado e o dinheiro, isto para passar o tegrama, em Ijuei, a 35 léguas de distância.
Mas deixa que o "confiança" gostava dum trago uma coisa por demais e parou num bolicho de beira de estrada, para umas que outras...Chegou à estação da viação férrea e faltou dinheiro para todo o telegrama, que era assim: "Não manda mais pinico. Pt. Coronel Bicaco". O negócio era cortar uma palavra e a moca quis saber qual seria. Ele então disse: "Corte a primeira". Era a palavra "não".
Resultado: outra inundação de pinico!...Desesperado, o Coronel Bicaco redigiu outro telegrama: "Parem de mandar pinico. Pt. Coronel Bicaco", contou o dinheiro e mandou o "confiança" de novo a Ijuí. Aí o borracho levou mais dinheiro, do dele. Estava preocupado, achando que estava chegando mais pinico por sua causa, porque deixara da outra feita uma palavrinha à toa de fora.
Aí resolveu corrigir o erro: pegou a palavra que antes tinha ficado de fora e acrescentou no telegrama de agora, satisfeito consigo mesmo. Ficou assim: "Não parem de mandar pinico. Pt. Coronel Bicaco".
Até hoje ainda tem pinico sem uso, daqueles tempos, em Coronel Bicaco...
Quer ouvir a música de fundo da Semana Farroupilha e fazer o download grátis para o seu computador? Não te "acanhes", A canção "Tradição em Movimento", do Erlon Péricles em parceria com Duca Duarte,aqui
Pequena
Biografia:
Antonio Augusto Fagundes nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 4 de
novembro de 1934. Publicou seus primeiros versos no livro " Com a Lua
na Garupa", seguiu-se "Ainda com a Lua na Garupa", "Os Melhores Causos
de Galpão", "Era uma Vez" (Contos Tradicionalistas do Rio
Grande do Sul) e "Canto Alegretense", do qual transcrevo esta poesia.
Nico é uma referência no estudo da Cultura
Gaúcha, engrandecendo a nossa biblioteca com
títulos como "As Santas Prostitutas", "Mitos e Lendas do Rio
Grande do Sul", "Indumentária Gaúcha",
"Revolução Farroupilha / Cronologia do
Decênio Hero", "O Combate da Ponte do Ibirapuitã -
Revolução de 1923", "Curso de Tradicionalismo
Gaúcho". Sei que é difícil conseguir
estes livros fora do Rio Grande do Sul, por isso deixo aqui o contato
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martins@paginadogaucho.com.br
