Apparício Silva Rillo
Pequena Biografia: Apparício Silva Rillo (1931-1995), é o "Poeta do Tempo", nas palavras da professora Zilá Delavy. Nasceu em Porto Alegre, capital gaúcha, mas viveu a maior parte de seu tempo em São Borja. Esta poesia é do livro "Cantigas do Tempo Velho" e o causo, também dele, é do "Rapa de Tacho 3". Também compõem a sua Obra, "Viola de Canto Largo", "Caminhos de Viramundo", "Pago Vago", " Doze Mil Rapaduras" e a Trilogia "Rapa de Tacho"
Poesia Cismas de Velho
Quando
a garoa do inverno
me atropela pro galpão,
chego a chaleira ao tição,
corto um
crioulo a preceito,
e abrindo as varas do peito
me ponho, triste, a cismar.
E logo vejo apontar
- furando a garoa mansa -
a tropilha da
lembrança
que eu nunca pude amansar.
É balda de quem é velho
viver jungido ao passado:
- como um boi magro e
cansado
sofrendo ao peso da canga,
mas que paciente e sem zanga
vai mascando a malagueta
que é o carreteiro sotreta
que não
lhe afrouxa o serviço.
E o boi velho, nem por
isso
deixa de amar a carreta.
Por
mais que tenha sofrido
sempre um velho ama o passado.
Como um matungo estropiado
que já não
dá mais rodeio,
que gastou no aço do
freio
seu derradeiro colmilho;
que nunca
conheceu milho,
nunca passou do capim.
E o
matungo, mesmo assim,
tem saudade do lombilho.
Mesmo
com marcas no couro
de algum puaço mais forte,
mesmo sabendo que a sorte
lhe foi ventena e mesquinha,
um velho quando se aninha
no achego dos pensamentos,
disfarça esses maus momentos
nalguma fresta do
peito,
como um remendo bem feito
que se tapeia
nos tentos.
Esta verdade é sabida
dos chirus mais veteranos:
- que no rebolo dos anos
mesmo as horas mais funestas
vão embotando as
arestas,
tomando um novo feitio.
E acaba sempre
sem fio
o punhal dos desenganos
porque o rebolo
dos anos
gira sempre de arrepio...
Causo do Rapa de Tacho
Corria no foro de Guaíba um processo de injúria e difamação envolvendo como partes duas vizinhas. Uma, claro, falara mal da outra, subiu o grau da fervura e o caso, finalmente, viera á casa da justiça - a ceguinha que todos conhecemos.
Era patrono da ré o bacharel José Godoy Ilha, hoje falecido. Arrolou para a defesa um mulato bem falante que tinha a mania de falar difícil e, sempre que possível, em versos mais ou menos rimados.
Chegou o dia da audiência. Arroladas as testemunhas da acusação e tomados a termo seus depoimentos, chega a vez das de defesa. Entre elas, o mulato, impecável num traje de brim listrado.
Nome, idade, profissão, jura falar apenas a verdade?
- Conhece a senhora Fulana de Tal?
- Tanto quanto a mim própio, Reverência.
- Sabe alguma coisa a seu desabono?
- Esta palavra, Reverência, não integra a minha antologia.
- Está bem. Sejamos mais claros: ela é honesta?
- Honesta? Na testa...
- Quer dizer o quê, com isto?
- Honesta só na testa, porque por baixo já foi tudo à festa!
Cozinha Gaúcha: Receita de Churrasco
Esta receita é de meu copyright, use e abuse e não deixe de me dizer o resultado, pois também quero colocá-la em prática!
Escolha
as carnes: lingüiça, coração(
de galinha), picanha, maminha, costela, asse nesta
seqüência...
Pegue um pão
amanhecido e embebido no álcool,o pão,
não tu ó bebum, acenda com o
álcool o fogo...logo cedo, para teres brasa ao pôr
a carne.
Prepare um pincel ( meu churrasco tem que ter) se
não pintas, use um ramalhete feito de salsinha, manjerona e
hortelã. Usarás para borrifar
o resto
da vinha d'alho, na qual "pousou" a carne, soubestes fazer vinha
d'alho, suponho...bem, vá virando a carne e surrando com o
tempero, devagar, o tempo de tomares uns mates, tranqüilo... e
depois uma canha de guampa...
Voltando ao churrasco,
não deixaste queimar? Então, estando a
lingüiça no ponto, nem crua, nem seca, e bem
apimentada, deve servir de aperitivo, é hora de tirar
também do espeto os coraçõesinhos para
as crianças...
Não falei de espetos,
mas, se possível, os feitos de pau, de pitangueira
são os melhores...
O ponto da picanha
é "berrando" e o da costela...Já a maminha, deixo
ao teu gosto...
Para acompanhar, farofa e salada de
mandioca. Faça igual maionese de batatas, mas deixa as
batatas de lado e enfias a mandioca no lugar...faça a
maionese com ovos crioulos bem batidos...
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A Gata por um fio 03/09/2007

Pequena
Biografia: Apparício Silva Rillo (1931-1995), é o
"Poeta do Tempo", nas palavras da professora Zilá Delavy.
Nasceu em Porto Alegre, capital gaúcha, mas viveu a maior
parte de seu tempo em São Borja. Esta poesia é do
livro "Cantigas do Tempo Velho" e o causo, também dele,
é do "Rapa de Tacho 3". Também
compõem a sua Obra, "Viola de Canto Largo",
"Caminhos de Viramundo", "Pago Vago", " Doze Mil Rapaduras" e
a Trilogia "Rapa de Tacho"