Poesia


"o metalíngua
reúne um grupo de poemas que se voltam sobre si mesmos.
poemas que pensam para pessoas que não dispensam uma boa sacada
guinada de idéia, filosofábula.
poesia pra quem quer mais poesia. poesia
que dialoga com a surpresa e a tradição da poesia de invenção ou não.
poesia para quem adora poesia. poesia que inventa moda e sai da rota.
poesia que lambe a palavra e a desloca. a língua além da margem.
gen da linguagem. sexo do paradoxo.

o metalíngua reúne alguns poemas metalinguarudos do alexandre brito"

(Alexandre Brito, por ele mesmo...)





a língua
é uma serpente sem pele e sem dentes

emblemática
morde a si mesma com as gengivas de um velho diabo

já foi minha vizinha
mas no mês passado mudou para endereço ignorado

não bate bem do firmamento
tem a cabeça cheia de vocábulos

a víbora linguística diz
que do pensamento é o substrato

no ápice do eclipse
em nominar o inominado insiste

e que só não é deus não porque não quer
mas porque ele não existe

nota:

Alexandre Brito: poeta, músico, editor e produtor cultural nascido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. é um dos editores da ameopoema. como poeta, publicou metalíngua (Éblis/2010), O fundo do ar e outros poemas (AMEOP/2004), Zeros (Petit-Poa/1991) e Visagens (Pau-Brasil/1986). seu livro infantil Circo Mágico (Ed. Projeto/2007) foi indicado ao prêmio Açorianos de Literatura Infantil em 2008 e contemplado pelo PNBE-Mec em 2009. Como músico, Integra a banda os poETs, que lançou em 2005 o primeiro Cd "Música Legal com Letra Bacana" e, em 2009, o segundo CD, "os poETs". Já no prelo, Poemínimos e O Museu Desmiolado, dois livros infantís, que serão lançados pela Editora Projeto em 2011.


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