3.10.19

Poesia de Alice Ruiz


Alice Ruiz


A poesia de Alice Ruiz


Sol



antes de partir
o sol experimenta
toda as cores



espalha no céu
o sol que ainda não veio
todo seu vermelho



céu azul escuro
a luz nos azulejos
último sol




Lua




entre as nuvens
não olhe agora
a lua pisca



lua na saída
o C da chegada
é o D da despedida



lua e nuvens
brincam de esconde-esconde
o vizinho vê TV



Noite e Dia



não me agradam
essas coisas que despertam
barulho, susto, água fria
tudo na minha cara
mais nenhum sonho por perto



não me agradam
essas coisas que adormecem
vazio, escuro, calmaria
tudo que lembra morte
quando nada mais dá certo



não me agradam
essas coisas sem poesia
uma noite só noite
um dia só dia





Alice Ruiz - Luminares
Castelinho Edições - Instante Estante



fotografia: Vilma Slomp

página de Alice Ruiz




1.10.19

Poesia de Sandra Santos




A poesia de Sandra Santos



perdi o canto e a cor
descolibri

      *

O Capote

o capote testemunhava
falas não gravadas
atas não lidas

o capote vestia
um cabide que escondia
um prego enferrujado

o capote em luto
setenciava mudo

e o general
– pouco aos poucos
esquecia tudo

o capote e o furo da bala
na lapela da morte

        *

o ponto inicia num sapatinho
e termina num xale de renda

pé sem meia
resta o calor do braseiro

bule craquelado
guarda morangos vermelhos

canta um galo de lata na chaminé
chama o vento


      *


de pão e aramado
teus dedos fartos

argamassa de ovos
trama de cestas

na tela a varejeira
ronda a carne seca


      *


Doravante Dora

Na noite escura A luz é Dora
Dourada Dora
Mulher não és
"Rabit", Dora?

Entre os sinais sinaliza Dora
Entre os espelhos Já é Senhora

Sem mãe, sem pai sem história
Simplesmente Dora

Dourando ao sol
Dura luz
De Dezembro
É Dora

Café pequeno
No Café Concerto
Entre borboletas
Mariposa é Dora

DuraDoura
Contra a luz

No chafariz
Moeda morta
Meretriz

Menina

Do fundo do fosso
Canção blue
Tema livre

Dora em declive
Teto Escarro Chão

Na noite escura
Luz difusa
Mariposa descontinua

Alguém chora?
No beco escorre
Para sempre, Dora

      *


quem maquiou o céu de cinza para uma noite bélica?




Sandra Santos - Lexofágico
Castelinho Edições - Instante Estante







30.9.19

Poesia de Djami Sezostre

arranjo de pássaros e de flores
Djami Sezostre


A Poesia de Djami Sezostre



arranjo de beija-flor e quaresmeira, dia 1°

antes da chuva, no amargor da tarde – súbito
êxtase que enveredo, rumor de asas e pássara
no limiar das árvores     aroma de araçá em lis
move cerrado e serro, púbis ventre em trevo
o ícone da matéria - ruflo, eu velo sumarento
sobrancelha cílio e íris / pêlos cinco dedos invés 
de ceres no campo, agridoce, avoante
beija-flor eu saciar bosque em néctar, bico
sibilo - nascente, colibri, quaresmeira / líber
nessa lavoura de pétalas   folhas e galhos


arranjo de bem-te-vi e buquê de rosas, dia 2

afluente – eu, riacho alcanço o cerrado
entre o rastro na poeira eu fogo à margem
engendro a sede arenosa no açude, eu -
nativista -, esse garrote quase perí 
cavalo, áspero e âmbar à sombra e árvore
eu, buquê de roseira, sândalo, garimpo
o ranço do amor e faço por ti, o desafio
: dispo veludo de ceres, êxtase no campo
onde surge, úmido - no pomar, sumo e cimo
canto bem-te-vi, ventre graviola silvestre


arranjo de pardal e girassol, dia 3

eu-pássaro, canto por ti clave e amavio     
cravos bordam meu cintilho de espinhos
peleja de enxó, vadiice só eu me junco
e mais: passarinheiro é teu brado de
ave pardal nascido de girassóis em florais 
de corpo muito enguia, cervo eu pardoca/ 
aclive de arados, delta na restinga do ser 
oleiro eu -, pés e unhas sujos de argila
dissidente e incidental é todo/lodo o



Djami Sezostre


Arranjo de Pássaros e Flores
Castelinho edições - Instante Estante



página de Djami Sezostre



Arte e Poesia



arte naif
Batalha de São Mamede e Castelo de Guimarães - arte naif de Luiza Caetano



Uma viagem a Portugal, através do olhar naïf da artista plástica e poeta Luiza Caetano



 Guimarães, a pitoresca cidade do distrito de Braga é parada obrigatória de qualquer viagem. Castelos e arquitetura medieval mantêm o cenário de antigas batalhas e conquistas.
Após a vitória na famosa batalha de São Mamede (1128), Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, decretou Guimarães a capital do reino. A cidade de Guimarães foi tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, em 2001.
Alfama é um dos bairros mais antigos de Lisboa. É conhecido pelos seus restaurantes e casas de fado, assim como os festejos de santos. Um dos festejos mais famoso é o da noite de Santo Antônio, 12 para 13 de Julho. Já o fado tornou-se patrimônio imaterial da humanidade, reconhecido pela UNESCO, em 2012.
O Castelo é símbolo da devoção a São Jorge, mártir e padroeiro dos cavaleiros e das cruzadas. A tomada do castelo pelos cristãos se deu no cerco de Lisboa no ano de 1147, sob o comando de Afonso Henriques.
A tradição, retomada em 1997, acontece durante os festejos de aniversário de Lisboa. Os casais, 11 escolhidos entre os mais de 50 candidatos, juntamente com  três "casais de oiro" ( estes já unidos pela tradição e completando bodas de 50 anos ), participam da cerimônia, que se inicia ao meio-dia nos Paços do Concelho e segue para a Sé de Lisboa. Após, os casais desfilam pela cidade, para receber o aplauso de todos.
A igreja da Sé foi praticamente destruída pelo terremoto de 1755, restando parte da Capela Mor e a Cripta onde nasceu Santo Antônio de Pádua (referência à cidade italiana onde viveu). A igreja foi reconstruída e é po ssível visitar, entre outras coisas, a arca com os restos mortais de São Vicente, santo padroeiro de Lisboa. Diz a lenda que, quando o corpo foi transferido para Lisboa em 1173, dois corvos sagrados escoltaram o barco durante o translado. Os corvos e o barco viraram símbolos da cidade.
Os chafarizes tiveram grande importância na forma de expansão das cidades, que na época medieval, se abasteciam de água junto às cisternas
O Alentejo produz o melhor pão do mundo. Faz parte de sua história as mulheres ceifeiras, que galgavam quilômetros a pé e sob sol escaldante, até as herdades, para semear, mondar e ceifar o trigo.
É possível fazer belíssimos passeios por Lisboa em bondes elétricos do século XIX, percorrendo a baixa lisboeta, zona histórica de Belém, colinas, comboios de Cascais, Bica, Glória, Praça dos Restauradores. A Carris dispõe de bondes elétricos, ônibus, "elevadores" e "ascensor"(tipo de bonde para relevos acidentados). Estes últimos foram classificados como monumentos nacionais. O ascensor do Lavra é o mais antigo (1884) e o elevador de Santa Justa (1902) é o único elevador vertical de Lisboa.
Os habitantes de Lisboa, além de lisboetas, são conhecidos popularmente por "alfacinhas". Talvez alguma referência ao cultivo da hortaliça nas colinas ou, segundo outra lenda, terem sido estas alfaces o único alimento durante os cercos  de guerra, à época das invasões. 


arte naif
bairro de Alfama - arte naif de Luiza Caetano



arte naif
as noivas de Santo Antônio - arte naif de Luiza Caetano


arte naif
Sé de Lisboa - arte naif de Luiz Catano



arte naif
Fontanário do Rossio - Arte naif de Luiza Caetano


arte naif
As ceifeiras do Alenteijo - Arte naif de Luiz Caetano


arte naif
Os bondes de Lisboa - Arte naif de Luiza Caetano



arte naif
Lisboa banhada pelo Tejo - Arte de Luiza Caetano




Lisboa se vestiu de Rio, languidamente
Sensual! Tortuosa e brilhante

Bate o sol na Mouraria
faz sombra no Bairro Alto
mas a festa é no Rossio

Lisboa se vestiu de Rio
na franja do frio
embandeirada nos barcos do Tejo

Lisboa coberta de luzes
qual manto de lantejoulas
na Rua do Capelão
marinheiros soltam amarras
e as varinas o pregão
juntamente os seus amores
tomando café na Ribeira
entre bouquês de flores

POEMA: IN LISBOA IN VERSOS - Luiza Caetano